Materias de Mauro J.C
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Sobre: Sou palestrante de assuntos correlatos a pesca esportiva. Faço palestras em hoteis, pesqueiros e entidades ligadas ao assunto, sobre manutenção de equipamentos, tipos de pesca, tipos de peixes, técnicas e outras coisas.
Trabalho com manutenção e conserto de molinetes, carretilhas e varas em geral.
Faça o download da Apostila de Manutenção,escrita por Mauro Jorge Carvalho.
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Que Linha Coloco aqui?!
Essa é a pergunta mais freqüente que os balconistas das lojas de pesca escutam quando um cliente compra ou ganha um molinete ou uma carretilha. Olham para equipamento e ficam tentando adivinhar que linha cabe no mesmo.
_______Vou agora dar algumas dicas e depois de lerem esta matéria perguntarão:
_______- Como não tinha visto isso antes?
_______Bem, todo equipamento vem de fábrica com suas características próprias, ou seja, com os dados necessários para que o usuário saiba que linha usar e qual a capacidade que cabe em cada carretel ou bobina. Para tanto basta olhar nas inscrições que circundam um carretel de um molinete, no corpo de uma carretilha ou em sua embalagem. Com certeza absoluta você encontrará as informações que procura. Vou exemplificar:
- Vamos pegar de modelo um molinete qualquer, onde se lê no carretel: mm / m 0.35 – 310 0.40 – 260 0.45 – 160.Pode também aparecer Æ / m. (Diâmetro / Metro).
- Isto significa que se colocar uma linha 0,35 mm caberão 310 metros, se colocar uma linha 0,40 mm caberão 260 metros e se colocar uma linha 0,45 mm caberão 160 metros, ou seja, dependendo do tipo de pescaria se usará a linha mais adequada ao peixe que se propõe fisgar.
- Explicando melhor, se você pretende pescar Pacu e sabe que na região o peso máximo encontrado não ultrapassa 6 kg, pode usar uma linha 0,45 mm, onde caberão no seu carretel 160 metros e a mesma tem uma carga mecânica testada para 9 kg, portanto terá linha suficiente para agüentar um peixe grande e toda a força que ele exercerá sobre a mesma para se safar do anzol.
- No caso de uma carretilha o procedimento é o mesmo. Dou como exemplo um tipo onde no corpo do equipamento está escrito: 0.30 – 5,4 kg – 125 e 0.35 – 6,4 kg –100, ou seja, colocando uma linha 0,30 mm, com carga de 5,4 kg, caberão 125 metros e colocando uma linha 0,35 mm, com carga de 6,4 kg, caberão 100 metros.
_______________ Aí o leitor me fará outra pergunta: – Quando vou comprar uma linha e leio as informações na etiqueta, algumas vezes está escrito: 0.35 – 12 lb. O que significa lb? Como saberei para quantos kg ela foi projetada se está em lb? Bem, lb significa libras e 1 lb = 453,6 gramas. Neste caso, se usarmos uma calculadora (coisa que nunca temos a mão) saberemos que 12 x 453,6 = 5,4432 kg, ou seja, 5 kg e meio. É, fica difícil de se calcular na hora, não é? Que nada, faça de cabeça apenas dividindo o valor escrito em lb por 2 e obterá 6 kg, que é aproximadamente o valor que ela agüenta. Se quiser ser mais preciso, subtraia 10% e chegará quase no valor real. 6,0 – 0,6 = 5,4 kg. Fácil…
- Outra observação importante: Quando for comprar linha para seu equipamento, não se baseie apenas nos peixes que se pretende pegar ou nos dados escritos sobre a capacidade e espessura de linha a ser usada, olhe também sua vara, pois é uma parte importante e todo o conjunto tem que estar balanceado, não se pode usar um molinete para pesca oceânica com linha da grossura de um barbante, em uma vara para pesca de lambari.
- Veja como exemplo uma vara que no seu Blank (corpo) vem escrito: F60HT que é o modelo da vara, Lure ¼ – 2 oz, que significa que ela é apropriada ao arremesso de iscas artificiais e terá um aproveitamento perfeito se você usar iscas que pese no mínimo ¼ oz que é 7 gramas e que no máximo pese 2 oz que é 56 gramas. Vamos explicar melhor:
1 oz = 28,349 gramas. Para calcular de cabeça use apenas 1 oz = 28 gramas (despreze as casas depois as vírgula). Portanto ¼ oz = 28 ¸ 4 = 7 gramas e 2 oz = 2 x 28 = 56 gramas. Mas vamos voltar ao assunto anterior. Continuando a ler as informações na vara, ainda encontramos: Line 10 – 25 lb. Bem, já descobriram? Ela é fabricada para se usar no máximo linha de 25 lb, calculando de cabeça 25 ¸ 2 = 12,5 – 10% = 11 kg. Lembrando, os três fatores devem estar em harmonia: Molinete/Carretilha, Linha e Vara.
_______Agora sabem que não se pode usar um molinete com linha 0,35 com carga de 12 lb, se a vara só agüenta 5 lb. Vai quebrar. Ou ao contrário, uma vara super pesada com uma linha fina e fraca não sentirá a fisgada do peixe e quando fisgar, automaticamente irá perde-lo pelo rompimento da linha.
Ainda faltam três dicas:
- Sabe aquela peça plástica que existe no carretel dos molinetes, bem abaixo do local onde a linha fica enrolada? Sabe pra que serve? Resposta: É uma presilha usada para se prender a ponta da linha quando não se está pescando e o equipamento não está em uso.
- Uma dúvida constante: Em um equipamento que cabe no máximo 200 metros de linha 0,35 mm, porque não posso colocar 100 metros de linha 0,70? Simples, o equipamento foi fabricado para ser usado no máximo com essa bitola de linha, levando-se em consideração a carga mecânica que ela representa, portando ao se colocar uma linha mais grossa, estaremos sobrecarregando todas as peças do equipamento e assim aumentando as possibilidades de quebrar e automaticamente diminuindo de sua vida útil.
- Às vezes no lugar de “metros” encontramos em alguns equipamentos as siglas “yds” que significa Jardas, especialmente os de origem norte americana e sua equivalência é:
1 jarda = 91,44 cm. Ai é só fazer a conta para saber quantos metros de linha cabem no carretel.
Ex: 330 yds = 330 x 91,44 = 301 metros.
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O NÓ que não dá NÓ no Pescador !
Amigo leitor, hoje eu vou tratar de um assunto corriqueiro em pescarias, ainda mais nas embarcadas, onde o barco balança e tudo fica difícil de se fazer, inclusive um simples nó.
Existem vários tipos de nós, uns fáceis de se fazer e outros praticamente impossíveis, mas dentre todos um se destaca pela praticidade e larga utilização. Ele é simples de se fazer e resolve quase todos os problemas que temos durante uma pescaria devido a sua facilidade e a alta resistência à ruptura. Não vou dar um nome científico ou o nome do inventor, pois de nada adiantaria, mas sim o que interessa é saber dar este nó da maneira mais simples e clara possível.
Com este nó é possível prender qualquer coisa que possua um orifício, como um anzol, girador, encastoador, presilha, chumbo com argola, snap, grampo, isca artificial, etc, inclusive amarrar uma corda em uma haste ou em qualquer outra base onde se possa circundar.
Costumo brincar que para se dar este nó o pescador terá que possuir alguns dotes:
Ter o mínimo de habilidade manual de uma pessoa normal;
Conhecer os números 6 e 8;
Ter saliva (literalmente).
Bem, vamos ao que interessa. Usarei um girador como exemplo e vamos designar a letra “A” para a linha que vem do molinete ou carretilha, a letra “B” como a ponta final da linha e a letra “X” como local a ser segurado com os dedos da mão esquerda. (Segurar muito bem o ponto onde aparecer o “X”)
FOTO 01: Com a linha que vem de seu equipamento, faça um arco passando pelo girador e deixe um prolongamento de duas linhas paralelas mais ou menos 5 ou 6 centímetros.

FOTO 02: Faça um arco sobre as duas linhas paralelas, deixando a ponta “B” seguir para o lado contrário da linha que vem da vara. Se observar bem, verá que irá aparecer o número 6 conforme falei. Lembre-se de segurar firme no “X”.

FOTO 03: Fazendo com que a ponta da linha continue no sentido contrário a que vem da vara, dê algumas voltas (3 a 6) sobre as duas linha paralelas conforme foto. Umas três voltas para linhas mais grossas e umas seis para linhas mais finas. Testando saberá qual a quantidade de voltas é melhor para a bitola de linha que estiver usando. Lembre-se de não soltar o ponto “X”.

FOTO 04: Segurando firme no ponto “X”, puxe a ponta “B” e verá aparecer o número 8, sinal que o nó está correto. Caso não apareça é sinal que algo deu errado, pode começar tudo novamente.

FOTO 05: Puxe a ponta “B” até sentir o nó ficar firme sem mastigar a linha. Sempre segurando firme no ponto “X”.

FOTO 06: Mude a posição onde estava segurando a linha, solte-a e segure bem firme no girador. Coloque o nó na boca e molhe com sua saliva o local para que o atrito não queime a linha. Puxe a linha que vem do seu equipamento “A” e verá o nó deslizar sobre a mesma em direção ao girador. Ao encostar no girador, puxe novamente a ponta “A” e depois a “B” fazendo com que o nó se aperte bem. Com uma tesoura ou um Trim (cortador de unha), corte a ponta que sobra “B” bem rente ao nó “C” e está pronto, é só pescar.

Como perceberam, aparentemente parece difícil, mas depois de um pouco de treino, farão este nó em qualquer local e até sem prestar a mínima atenção.
FOTO 07: No caso de se fixar ou amarrar uma linha ou corda em uma haste, siga todos os passos descritos anteriormente, apenas deixando o local a ser fixado dentro do círculo que se forma no início da confecção do nó (ver “D”).
TOPO<º(())><º(())><<º(())><<º(())><<º(())><<º(())><<º(())><<º(())><<º(())><
Pescaria nos Canais
Hoje vamos falar sobre um tipo de pescaria muito comum no litoral do Brasil, a pescaria nos canais. Prática muito apreciada por muitos pescadores que adoram o mar e também pelos que sofrem de um distúrbio chamado “enjôo”, este que afasta a possibilidade de pesca oceânica devido seu grande incômodo que chega a ser desesperador, causado pelo balanço da embarcação que está sofrendo pela ação das ondas e marolas. Podem perguntar a quem já passou por este problema e garanto que essa pessoa nunca mais encarou um marzão.
Como são pescadores fanáticos, não guardaram seu equipamento e disseram adeus, simplesmente mudaram de tipo, saindo do mar aberto e indo para áreas abrigadas, como praias, costões, desembocaduras de rios que deságuam no mar e principalmente canais, onde suas águas são calmas e a possibilidade de se passar mal é mínima, com a vantagem de se estar próximo à costa.
Outra facilidade que este tipo de pescaria nos proporciona é a vantagem que dependendo do local, o uso de embarcação motorizada pode ser abolida, utilizando-se barcos menores movidos a remo. Os barcos normalmente são pequenos, de alumínio, medindo em média 5,00 mts para 3 pescadores, sendo um sentado na popa, local do motor (piloteiro), outro no meio (local dos remos, caso a embarcação não possua motor) e um último na proa. A maioria das marinas aluga barcos com motor, com piloteiro e também os de reboque, onde o barco é levado até um determinado ponto e volta-se para busca-lo em horário pré-determinado.
Os canais também são ótimos pontos para se fazer uma excelente pescaria, pois na maioria suas águas são salobras e várias espécies de peixes marinhos se utilizam deste local para reprodução e alimentação. Como exemplos das espécies que poderemos encontrar nos canais destacamos a Espada, a Corvina, o Badejo, a Tainha, a Pescada Amarela e a Branca, o Pampo, a Guaivira, a Caranha, o Bagre, a Brejereba e principalmente o Rei dos canais, o Robalo, espécie muito procurada nos meses de março a agosto, quando entram mais no canal para a desova. Sua grande procura é causada tanto pela alta qualidade de sua carne, como também pela briga que proporciona na sua captura, às vezes fazendo o pescador de bobo, já que este peixe é muito astuto e se não tivermos algum conhecimento sobre seus hábitos e suas manhas, com certeza não embarcaremos nenhum exemplar.
Neste tipo de pesca devemos esquecer o canal principal devido ao grande movimento de embarcações, procurando sim seus afluentes, ou seja, os braços que se derivam do canal principal, onde suas águas são mais tranqüilas e propiciam e entrada de várias espécies a procura de alimentos que podem ser outros peixes menores, crustáceos e algas. Os peixes também usam estes locais para se reproduzirem.
Como iscas podemos usar pequenos pedaços de peixes (sardinha), camarão morto, iscas artificiais e iscas vivas, tendo como a principal o uso do camarão vivo, iguaria muito apreciada por grande parte das espécies que poderemos encontrar, dando mais atenção a Brejereba, a Pescada Amarela e ao Robalo. Como suas águas são tranqüilas, poderemos trabalhar com bóias, já que algumas espécies são peixes de superfície e meia-água.
Com relação à maré, devemos sempre observar a Tabua do dia da pescaria, já que os melhores horários são os do início da enchente até uma hora antes do reponto da cheia e no início da vazante até uma hora antes da baixa, sendo o primeiro descrito o mais aproveitável. No caso dos Robalos, eles aproveitam a velocidade das águas para se alimentar, pois são grandes predadores e usam o fator surpresa para capturarem suas presas quando as mesmas estão descendo ou subindo com a maré.
Mas não vamos nos ater a um único tipo de peixe. Os canais podem proporcionar grandes pescarias, bastando apenas resolver qual o tipo de peixe desejamos pescar e que tipo de pescaria iremos fazer para passarmos um excelente dia.
Um modo muito comum e que proporciona um grande resultado é o de navegar contra a maré por um certo tempo e depois desligar o motor deixando o barco deslizar ao sabor da correnteza, apenas fazendo com que ele fique sempre perpendicular à margem, controlando-o com os remos ou com um motor elétrico, sem fazer qualquer tipo de barulho e assim cobriremos uma grande área do canal, possibilitando uma chance bem maior de se capturar um exemplar e não sair “sapateiro” (gíria muito usada no sudeste para o pescador que não pega nada). Devemos trabalhar em várias profundidades, pois não sabemos qual é o peixe que está naquela região e assim após o primeiro exemplar capturado, verificamos em que profundidade ele foi fisgado e passamos a dar mais ênfase a modalidade.
Outros locais muito bons são as curvas dos rios, onde pela velocidade das águas formam-se poços, áreas de alimentação natural devido a maior profundidade encontrada. Alguns cardumes de predadores ficam praticamente parados nestes pontos apenas aguardando a passagem dos peixes menores. Com o barco apoitado, faça o arremesso na parte mais aberta (longa) da curva que é mais proveitoso devido à velocidade da água ser maior neste local, onde devemos insistir com lances bem próximos a margem.
Como percebem, existem várias maneiras de pescar em canais, ficando praticamente impossível de se descrever todas. Sendo assim, a melhor maneira é se informar com os pescadores que moram no local escolhido para saber qual é o tipo de peixe que se encontra em maior quantidade na região e partir para este tipo, não se esquecendo de levar outros equipamentos, já que nunca se sabe qual vai ser a surpresa daquele dia e temos que estar preparados para tudo.
Com referência aos equipamentos que podem ser usados podemos destacar: Para se trabalhar com isca viva (Robalo, Pescada, Guaivira), uma vara tipo robaleira de 4,50 mts, ponta n.º 2 ou n.º 3 com molinete para linha 0,35 mm; Para se trabalhar com isca morta (Espada, Corvina, Brejereba), uma vara de 1,80 mts ação média pesada com molinete para linha 0,45 mm; Para se trabalhar com isca artificial (especialmente o Robalo), uma vara de 5,6” a 6,0” ação média, para iscas de ¼ de onça a 1 onça e 8 a 17 lb, para carretilha com linha 0,30 mm. Estas informações são apenas ilustrativas, pois trata-se da média usada, mas depende muito dos peixes encontrados e da maneira como o pescador gosta de usar a sua tralha.
Por motivos de segurança, evitem a pescaria solitária nestes locais, tenham sempre um celular a mão, um barco equipado com todos os equipamentos de salvatagem, um rádio, caixa de primeiros socorros, água potável, salva-vidas, um companheiro que conheça a região, um piloteiro devidamente habilitado e se possível uma carta náutica da área (VEJA TRECHO DE CARTA NÁUTICA NO FINAL DESTA MATÉRIA) que pode ser adquirida em lojas especializadas ou na Capitania dos Portos da região onde será feita a pescaria, já que nestes canais a quantidade de afluentes é muito grande e a possibilidade de ficar perdido é enorme. No caso de estarem usando iscas vivas, verifiquem antecipadamente se o barco dispõe de viveiro e caso contrário, providenciem uma caixa térmica com aerador para manter as iscas vivas por mais tempo.
Caso queiram saber como pescar determinada espécie encontrada em canais, nos escrevam que teremos o máximo prazer em informar e orientar.
Boa Pescaria.
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Pescaria de Praia sem Complicação
Todo pescador já leu algo sobre pesca em praias, locais preferidos e as praias ideais para esta finalidade. Como sabem, praias de tombo são as mais procuradas devido sua grande profundidade ser facilmente alcançada com pequenos arremessos e pela sua formação que lembra um grande poço onde encontramos diversas espécies marinhas.
Como também é sabido por todos, uma boa parte dos pescadores não possuem meios para chegar a estas praias paradisíacas e totalmente propícias a uma grande pescaria e quando chegam a uma praia qualquer, olham de um lado ao outro e se perguntam onde devem ficar, onde arremessar e como achar um lugar perfeito, mas isto falaremos no final desta matéria. Vamos tratar de dicas simples sem muitas explicações mirabolantes e detalhes muito técnicos, feitas para uma pescaria comum sem muitas despesas e grandes conhecimentos.
Com relação aos equipamentos levaremos uma vara para espera, com 3.60 m a 5.40 m de comprimento para um arremesso bem longo, casting (capacidade de arremesso) de 150 gramas a 300 gramas, molinete com grande capacidade de linha abastecido com linha 0,25 mm a 0,45 mm (depende do tipo de peixe da região e da linha que o pescador esta acostumado a usar, já que alguns usam linha até de 0,16 mm), um líder de aproximadamente o dobro do comprimento da vara com uma linha 0,10 mm acima da linha principal do carretel (este leader serve para que no arremesso a linha principal não se rompa devido sua baixa espessura e resistência), chumbos tipo pirâmide ou carambola, pois devido sua forma são mais difíceis de serem arrastados pela força de maré, com peso entre 60 e 150 gramas, dependendo do casting da vara e da resistência do leader.
Outra vara será a que chamamos de marisqueira, mais leve e a que normalmente ficamos segurando e brincando com peixes menores. Vara com 2,50 m a 3,00 m de comprimento para um arremesso médio, casting (capacidade de arremesso) de 60 gramas a 120 gramas, molinete com grande capacidade de linha abastecido com linha 0,20 mm a 0,30 mm, um líder de aproximadamente o dobro do comprimento da vara com uma linha 0,10 mm acima da linha principal do carretel, chumbos tipo pirâmide ou carambola, com peso entre 30 e 60 gramas, dependendo do casting da vara e da resistência do leader.
Caso seja da preferência do pescador, poderá usar carretilha no lugar de molinetes, mas este é o mais usado pela maioria devido sua facilidade de manuseio e arremesso longo.
Para se colocar as varas usamos um suporte (secretária) que pode ser adquirido em qualquer loja de pesca ou um bem simples, mas que quebra um grande galho, feito de um tubo de PVC com aproximadamente 70 cm com uma ponta cortado em 45º e simplesmente fincado na areia.
Se gostar de pinchar, coloque as duas varas na secretária e com uma vara para isca artificial de uns 7” pés, mais ou menos 2,15 m, com uma isca de uns ¾ de onça, mais ou menos 20 gramas, arremesse sobre a espuma das ondas e com sorte poderá pegar um Robalo que esteja passeando pela região atrás de um peixinho. Uma isca muito usada é o camarão DOA, encontrado em qualquer loja de pesca.
Quanto aos anzóis o mais usado é o Marusseigo, pelo seu formato, pela carga mecânica que agüenta, pelo preço baixo e por sua ponta ser muito afiada. Em relação ao tamanho, dependerá muito dos peixes encontrados na região, mas normalmente usamos anzóis pequenos devido a linha usada ser fina e proporcionar uma briga maior entre o peixe e o pescador.
As iscas normalmente usadas são o camarão que pode ser colocado com ou sem casca (lembre-se de usar o Elastricô, aquele fio de borracha que serve para envolver e amarrar a isca para ela não se soltar no arremesso) e a sardinha cortada em tiras (filet). Também usam muito o corrupto, um bichinho encontrado em várias praias e que tem sua captura proibida em muitas cidades; e a minhoca de praia, aquela bem comprida que é uma briga pra pegar, mas os caiçaras normalmente tem para vender. Outras iscas dependem do que existe no local e só um papo com os pescadores regionais irão lhe tirar qualquer dúvida
Nunca deixe de levar um banquinho, protetor solar, alicate para tirar o anzol da boca do peixe, óculos de sol, água, um lanche bem leve e que não se estrague com alta temperatura, faca, um pedaço de madeira para se cortar a isca, boné, repelente, celular e o mais importante, um bom amigo para bater aquele papo gostoso, pois pescar sozinho é uma nóia.
Bem e agora voltamos à clássica pergunta: – E onde pescar? Qual o melhor local? Como achar?
Fácil, normalmente os peixes estão mais ativos com a maré correndo, portanto verifique a tábua da maré de onde for pescar e opte pela vazante ou enchente. Quanto ao local, sabemos que os peixes procuram locais mais fundos onde exista farto alimento e que o mesmo não seja arrastado pela força das ondas, logo, poços ou canais. Para localizar estes locais observe as ondas da praias e veja onde existe um intervalo entre as maiores que se formam no fundo e as que terminam no raso, ou um local onde simplesmente elas não se formem, ai estará um grande poço ou um profundo canal, conforme ilustrado na foto abaixo.
Depois é só preparar a tralha, arremessar e curtir uma boa pescaria.
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Pesca Embarcada em Alto Mar
Atendendo a muitos e-mails recebidos, falarei sobre uma grande dúvida existente na maioria dos pensamentos dos pescadores que vão para o mar pela primeira vez, levando em conta uma pescaria simples, em barco de médio porte (8 a 12 pessoas) no cascalho, local com profundidade em média de 8 a 12 metros com fundo de areia:
- O que devo levar?
Para não complicar ainda mais, vamos por partes:
ROUPAS:
Como estas pescarias são geralmente feitas no verão, levem roupas leves, fáceis de carregar e que não impeçam a transpiração. No caso do inverno, no mar por não existir abrigo natural, leve muitos agasalhos, pois o frio lá fora e de doer nos ossos. Independente da época leve uma muda de roupa sobressalente, já que se molhar quando embarcado é muito fácil e assim terá como se trocar.
Se você é uma pessoa de pele clara e fácil de se queimar, use camisas de mangas compridas, chapéu ou boné, calça comprida e um bom protetor solar, pois existe a insolação direta do sol e o reflexo na água, aumentando assim todo o poder de queimadura existente em um dia quente. Leve um bom protetor solar e não esqueça de depois de usar lavar bem as mãos para não passar o odor do protetor para a isca, senão acabou a pescaria.
Nunca esqueça uma capa de chuva, o tempo muda repentinamente e você tem que estar preparado. Também tem o fator vento, que pode deixar qualquer um maluco e o plástico da capa dará uma ajuda considerável mesmo não estando chovendo, apenas tirando a friagem que uma ventania pode causar.
Sobre o que calçar eu aconselho um tênis bem confortável, pois evita quedas no barco e por ser fechado preteje de queimaduras no peito do pé, ainda mais dos que usam sapatos a semana toda (paulista) e tem o peito do pé bem branquinho.
EQUIPAMENTOS:
Se você pesca com duas varas, leve sempre uma de reserva. Já vi muitos pescadores ficarem sem fazer nada depois que o peixe quebrou sua vara ou levou tudo pra dentro da água de uma só vez.
Com relação ao uso de molinete ou carretilha, os dois podem ser usados depende do gosto do pescador, já que praticamente não existem arremessos, apenas deixamos a linha ir até o fundo.
Sobre as varas, usamos uma com carga até 25 libras com linha de 0,30 a 0,35 mm e anzol 1/0 a 3/0 para peixes menores como Espada, Corvina, Betara e outros e uma que fica na espera com carga de até 50 libras e linha 0,40 a 0,55 mm com anzol 4/0 a 7/0 para peixes maiores, como o Cação, Dourado, Arraia e outros.
Os anzóis citados são os mais comuns do tipo 4330, mas podem usar os de outra marca também, sempre respeitando os tamanhos e ainda usar na espera a garateia, que dará mais certeza na fisgada do peixe. Mas fique esperto, na maioria das vezes o peixe grande acaba caindo na vara menor e ai é que as coisas ficam boas.
Com relação ao comprimento das varas, normalmente usamos de 2 a 3 metros, já que acima disto na hora da fisgada do peixe, devido ele estar abaixo do barco e a vara praticamente trabalhando na horizontal, o efeito alavanca será enorme e um simples peixe de 200 gramas irá dar a impressão que estamos puxando um de 5 quilos.
Com relação a puçá e bicheiro, normalmente estas embarcações possuem e um marinheiro estará sempre a postos a ajudar o principiante na hora de embarcar um belo exemplar, mas um bom alicate é fundamental em toda tralha, ainda melhor se for um dos que além de segurar o bicho ainda pesam o bruto para não dizer que foi mentira.
Caso apoitem sobre um parcel, tenham sempre na caixa das tralhas um rolo de linha de nylon bem grossa, 1,0 a 1,2 mm para se colocar bem no fundo e arriscar pegar uma bela Garoupa.
Os chumbos mais usados são os redondos com furo central ou tipo oliva, pois ficam soltos na linha e quanto ao peso, levem de vários tamanhos, já que tudo vai depender do quanto a maré estiver correndo para assim se saber que peso usar para deixar a isca no fundo, sem que a mesma corra para os lados.
Giradores são sempre bem-vindos, pois os peixes tem muito espaço para nadar e assim a linha não irá se contorcer toda.
Levem rabichos feitos com cabos de aço, em média de 40 libras, pois a maioria dos peixes possuem dentes afiados e vocês não irão querer perder um belo exemplar simplesmente por ele ter cortado a tua linha e escapado. Como coloca-los: linha, chumbo solto, girador, cabo de aço, snap e anzol (pode-se comprar pronto com girador, cabo e snap). Não esquecer da isca.
COMIDA:
Eu aconselho bolachas, pão com queijo e frutas, nada que se estrague com facilidade e que contenha condimentos, pois além do risco de se ingerir algo estragado (deteriorado pelo calor), certamente você irá enjoar e acabar com a sua pescaria.
No caso de enjôo, não adianta fazer muita coisa, aconselho deitar no centro do barco, local onde menos balança e ficar o mais calmo possível até o mal estar passar.
Sobre bebidas, álcool não combina com pesca embarcada, mas se for o caso opte pela cerveja, que é mais leve, com menor teor alcoólico, diferente das bebidas destiladas que com o balançar do barco te daria uma sensação quadriplicada de seu estado etílico, ou seja, uma dose pareceria uma garrafa inteira. Ai está o perigo de se cair na água, somando-se o balançar do barco com o seu balançar e quando os dois acontecerem na mesma hora, o final é “água”.
Ai você fala: – É só voltar pro barco.
E eu respondo: – Tente puxar um bêbado em um barco balançando e com uma borda de quase um metro e meio de altura, não é mole não.
Água é fundamental para se hidratar e evitar uma possível desidratação. Realmente na hora da sede é a melhor saída.
Algumas embarcações proporcionam aos seus pescadores um churrasco feito com um dos exemplares capturados durante o dia ou uma bela picanha que um mais esperto levou. Mas na pior das hipóteses, resta se fazer uma sardinhada (sobra de isca).
ISCA:
Normalmente as embarcações já a fornecem junto com o valor da pescaria, mas caso contrário, leve sempre muita sardinha fresca (mínimo de 5 kg por pescador), um pouco de camarão (1 kg) e se for pescaria noturna leve um pouco de lula, mas veja se esta bem fresca, senão só ira é levar a lula pra passear.
A mais usada é a sardinha inteira na espera ou em tiras enroladas no anzol e o camarão para as Corvinas que são esfomeadas. Lembre-se que não adianta colocar um camarão só, elas adoram é anzol repleto, bem gordo.
DIVERSOS:
- Caixa com medicamentos que estão habituados a usar para dor de cabeça, enjôo, queimaduras, cortes e arranhões. Lá não têm farmácia aberta 24 horas.
- Celular, apenas para emergência e pra “Dona da Pensão” poder confirmar que você realmente está pescando.
- Uma boa faca para limpar um possível peixe, cortar uma linha e para fazer aquela tira de sardinha para colocar no anzol.
- Lanterna, caso a pescaria seja à noite. Existem uns modelos novos que colocamos na cabeça, deixando as mãos totalmente livres. Nunca esquecer de levar as pilhas.
- Máquina fotográfica para eternizar a captura de um grande exemplar, mesmo que este tenha sido pego por um outro companheiro de pescaria. Como foto não fala, vale a tua palavra.Uma boa dica é fotografar o peixe na horizontal, segurando-o com as duas mãos e com os braços bem esticados, pois devido à perspectiva e a distância do teu corpo, na foto eles parecem bem maior que a realidade.
- Um isopor grande para poder levar os peixes já limpos para casa ou poder colocar os adquiridos na peixaria próxima ao local onde irão desembarcar.
- Verificar se a embarcação tem salva-vidas suficientes para todos, se o mestre é habilitado para a embarcação, se possuem sonda para localização de cardumes, se usam GPS para uma navegação segura e o principal, se o barco tem WC.
- Confirmar o horário de retorno para que a pessoa escalada como motorista possa vir buscá-los no final da brincadeira.
- Ver com antecedência o mapa do local onde a embarcação ira sair, para não se atrasar e assim acabar com a pescaria dos outros que chagaram na hora certa e não querem perder a melhor hora do dia.
- Levar muito bem guardados no fundo da caixa de pesca todos os cartões de crédito e talões de cheques que possua, pois um dia inteiro longe de casa é um perigo quando os deixamos ao alcance de “outras” pessoas.
- Levar um bom companheiro e amigo para se vingar da última pescaria, aquela que você não pegou nada, ou ainda melhor, para poder voltar chamando-o de “sapateiro”.
Para finalizar, tenham sempre em mente o companheirismo, sem brincadeiras ofensivas e sempre respeitando todos dentro da embarcação. Assim passarão um belo dia e terão muitas recordações para contar aos filhos, netos e ao chefe.
Quando alguém disser que você esta mentindo sobre o tamanho do peixe que pegou, diga que não é mentira, mas é que no barco não tem como medir o bicho e devido o balanço provocado, nosso cérebro fica meio desnorteado e capaz de confundir as medidas que nossa emoção vê, com as reais. Só que nosso lado emocional é mais forte e acaba gravando o tamanho que achamos certo para o nosso bem estar e para poder contar como um belo “CAUSO’.
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